Sempre-vivas

São Paulo, Brasil • 2025
A partir da temática Jardim Urbano proposta pelo Itaú Cultural, Priscila Barbosa reflete sobre elementos florais que aparecem de maneira recorrente em objetos domésticos, como porcelanas, tecidos e tapeçarias. Ao inserir tais referências no espaço público, se utiliza deste recurso decorativo para pensar a cidade e o espaço público como um prolongamento do lar. Os elementos presentes na pintura proposta partem de suas observações de tais objetos em dois diferentes contextos: uma das estampas se baseia na decoração de uma louça produzida séculos atrás, exposta em um renomado museu holandês; a outra, nos padrões encontrados em toalhas de mesa de lojas populares nacionais, que seguem reinterpretando estilos clássicos. Ambas referências aplicam a natureza morta como símbolo de delicadeza e suavidade, geralmente associadas a características de feminilidade e docilidade. Hoje, mesmo que suas aplicações tenham se desviado do artesanal e possuam reproduções em grande escala, ainda são símbolos de tradição e nostalgia nas casas brasileiras. As restrições de temas impostas à artistas mulheres ao longo da história da arte, configurou a arte doméstica e a natureza morta como campos da feminilidade, e portanto, menos prestigiados. A escolha de colocar essa herança visual nas ruas reforça os questionamentos de Priscila Barbosa sobre as delimitações nas produções artísticas de mulheres, mesmo no campo da street art.